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Segundas Intenções
Todas as manhãs me pergunto o que vim fazer nesse mundo atrasado. Desde criança eu me sentia como se tivesse “caído” por acaso nessa época ou planeta. Ficava sentadinha no quintal, olhando pro céu, aguardando alguma nave espacial vir me resgatar.
Mas a nave não veio... e eu fui tentando me adaptar. No entanto, em algumas coisas não teve jeito. Um dia desses, por exemplo, alguém me disse que não faz nada pros outros sem “segundas intenções”. Disse com orgulho, como se fosse uma “qualidade”. E eu sei que a maioria das pessoas age assim. Daí fiquei pensando que, se vim pra esse mundo pra praticar o famoso “toma lá, dá cá”, a “turma da produção da Terra” perdeu tempo comigo... e com inúmeras pessoas (amigas, amigos e ex-namorados) que me apoiaram em horas difíceis e que estiveram participando de meus projetos com a maior garra ou, pelo menos, torcendo por mim, me dando carinho ou “ouvidos” sempre que necessitei. Contei com imenso apoio de amigos no meu jornal ecológico Preserv-Ação, no Desfile dos Cem Anos do Museu do Ipiranga e no100 Anos de Cinema Campinas Fashion. Contei com apoio de amigas/os quando morei em Florianópolis, Joinville e Campinas... e em muitas ocasiões. Essas pessoas sabiam que só receberiam “em troca” a minha amizade. Foram esses episódios que me motivaram a ajudar com o coração... e não com um recibo nas mãos dizendo como deveria ser a “retribuição”.
A vida é mutável! Quem tem tudo hoje, pode perder tudo amanhã. Quem nada tem hoje, pode estar muito bem amanhã. O sobe-desce vale pra todos, até pros milionários e eu acho que nessa gangorra a qual todos estão sujeitos, se sai melhor quem pode contar com amigos de verdade. Quem planta limão, não colhe morango.
16/04/2006
Publicado por Fátima Chuecco
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